sábado, 11 de agosto de 2012

Nova geração de gamers

O QUE ACONTECEU COM OS OUTROS ESCRITORES DESSE BLOG? SOBROU APENAS MINHA PESSOA? OTÁVIO! BRUNA! APAREÇAM! POSTEM UM "OI" QUE SEJA! ME SINTO SOZINHO! QUERO AMIGOS! 

Voltamos agora a nossa programação normal...


 Vagando pela internet eu acabo encontrando a seguinte notícia em alguns blogs e fóruns:

MENINO SOFRE BULLYING NA ESCOLA PORQUE AINDA JOGA "TOP GEAR" NO SUPER NINTENDO

 Um garoto de 14 anos de idade está sofrendo bullying na escola porque ainda possui um vídeo game, modelo Super Nintendo, e joga o antigo Top Gear – um jogo de corrida – enquanto seus colegas jogam Need For Speed no Xbox – vídeo game de última geração. 

 O menino contou a nossa reportagem que, todos os dias, quando chega da escola, pega a fita do jogo Top Gear, sopra e insere no vídeo game, para poder jogar. "Eu gosto da musiquinha do jogo, já passei de todas as fases, ninguém vence de mim em Top Gear", contou. 

 A direção da escola recomendou que o pai comprasse um Xbox para o filho parar de sofrer bullying. O pai do garoto disse que não vai comprar porque é o próprio filho que ainda gosta de usar Super Nintendo. 

 COMENTÁRIOS DESSE QUE VOS ESCREVE:

 - Hoje em dia qualquer criança que seja "diferente" da grande maioria das outras crianças da sua escola é, infelizmente, vítima de bullying. As crianças parecem que gostam mais de humilhar os "diferentes" do que fazer novos amigos.
 - Jogar "Need for Speed", hoje em dia, não é mais sinônimo de coisa boa. Afinal, de acordo com a grande legião de fãs do jogo de corrida da EA, o último grande jogo da franquia foi o Most Wanted.
 - Jogos como "Top Gear", "Rock 'n Roll Racing", "Biker Mice From Mars", "Enduro" e vários outros da era dos 8 e 16 bits podem ser comparados para o que representam ao mundo dos jogos de videogame, mais especificamente aos jogos de corrida, para noção de grandeza, as sinfonias de Beethoven.
 - Não me foi informado se a notícia é verdadeira ou falsa. Isso pode muito bem ser uma brincadeira da internet.

 Enfim, eu poderia falar milhares de coisas sobre essa notícia, porém como eu não sei se ela é verídica ou não eu não vou gastar saliva para comentá-la. Porém essa notícia me fez pensar. Depois que eu a li, tirei um minuto para refletir sobre a atual geração de gamers. As pessoas que nasceram depois de 97 e jogam videogame nos dias atuais. No exato momento lembrei-me que essas pessoas são a razão pela qual eu não frequento mais fóruns sobre videogames, não vejo comentários em vídeos no YouTube de pessoas que fazem vídeos sobre videogames e me afastei de sites de jogos.

 Posso dizer que essa geração atual se divide em duas vertentes:

 Os "Roda Crysis?" e os "Call of Duty".

  Fazendo uma pequena descrição de cada uma, os "Roda Crysis?" são aqueles que apenas se importam com os gráficos do jogo. Que todo ano gastam milhares de reais para montar o computador perfeito apenas para ter o prazer de rodar os jogos no máximo. Pode até mesmo ser um jogo que você é um cocô e tem que se aventurar pelo esgoto afora, mas se o jogo for feito na CryEngine 3, você vai achar muito moleque por aí dizendo que o jogo é o melhor do mundo, que não existe outro igual e enche o peito para dizer que o computador dele roda o jogo no máximo. Ou seja, essa parte dessa geração se importa apenas com uma coisa nos jogos: gráficos.

 Agora a vertente dos "Call of Duty" é um pouco mais (como não existem outras palavras na língua portuguesa que se adequem ao que eu quero dizer, vou usar a que mais se aproxima) engraçada. Jogo para eles tem de ter, além dos gráficos, muitos tiros, sangue e armas. Não querem saber de história, de enredo, de personagens, de clímax, de diversão, de jogabilidade ou até mesmo se tem algum RPG novo (ao menos que ele tenha armas) nas lojas de jogos. Normalmente essa pessoa é aquela que quando compra um jogo novo vai jogar direto no modo multiplayer. E claro que o jogo a ser endeusado por essas pessoas não podia ser outro a não ser Call of Duty. Resumindo: essa outra parte dessa geração se importa apenas com uma coisa nos jogos: ação.

 Antes de continuar meu texto quero deixar claro que não tenho nada contra os jogos Crysis e Call of Duty. Acho que os dois são bons jogos, mas caso queira saber a minha opinião é pública e acho que a maioria sabe que apesar de eu achar Crysis um FPS genérico, os seus gráficos são o grande diferencial e criando um jogo bonito de se jogar. Já Call of Duty faz um trabalho mais do que incrível na história do modo singleplayer do jogo, criando um enredo envolvente e clímax que deixar o jogador boquiaberto, porém não muda o fato que, com exceção das armas e a história, o jogo é Counter-Strike bem trabalhado

P.S.: Você também, Battlefield. A única coisa que muda em você é que você tem aviões e tanques e não tem história.

 Acredito que a razão por não termos mais tantos títulos inéditos nas prateleiras quanto antes é pelo fato que essa atual geração de gamers é muita fechada para novos títulos que cheguem as prateleiras. Isso eu realmente não entendo. Talvez pelo fato que eu sou da geração do Super Nintendo onde toda semana tinha ao menos um título inédito nas prateleiras, e jogava sem preconceito algum. Desde um coelho, um pato, um marciano, um caçador, um coiote e algumas outras criaturas jogando basquete até jogar com a seleção brasileira cujo ataque era Allejo, Gomez, Beranco e Pardilla em Salvador enquanto nevava. Corria com ratos de Marte em cima de motos ou em carros atirando um contra o outro ao som de rock'n roll clássico. A minha geração não era exigente. Tudo o que o jogo precisava fazer era proporcionar diversão. Só.

 Mas parece que agora a diversão não é mais importante. Pode até ser descartada.

 Hoje em dia é tudo uma grande competição. Se você ganha de uma pessoa em um jogo ela é um "noob" (derivação de "newbie" que significa "novato"), mas se você perde da mesma pessoa ela é um zé-ninguém viciado em jogos que só faz isso da vida. Ganhar, ganhar, ganhar, ganhar. E gráficos. Gráficos, gráficos, gráficos, gráficos. Quem é de fora e olha, parece que a empresa de jogos não tem mais nada a oferecer e, automaticamente, ela é obrigada a apelar cada vez mais para conseguir vender seus produtos.

 "Mas eles só fazem jogos disso, o que você quer que a gente faça, Lucas?"
 Pare de jogar. Jogue outros jogos. Se alguém lançar um Call of Duty, jogue um Final Fantasy. Caso lancem mais um jogo de zumbis, jogue um Street Fighter. Se lançarem mais um jogo de corrida fraquíssimo, jogue um Batman, Arkham City ou Asylum. Fica ao seu critério.

 Siga essa comparação: a empresa de jogos é como um barco sem motor. Então, automaticamente, ela vai seguir de acordo com a maré e caso ela tente ir contra, pode acabar naufragando. E como já dizia Anderson Leonardo: "Da boca pra fora é bonito dizer que dinheiro não é tudo, mas ajuda e da boca pra dentro é que eu quero ver, pois se não tem o que comer é um Deus nos acuda".

 Eu sei que essa geração não vai mudar. Vai ficar para sempre assim, pois essa foi a educação de jogos que foi dada a eles. Cresceram matando nazistas e vão morrer matando zumbis nazistas. Ninguém nunca mostrou para eles que tem coisas mais interessantes além de pegar uma arma e sair atirando em tudo o que se mover na sua frente. 

 Por essas e outras que existe o passado. Um pouco de nostalgia não faz mal a ninguém. Não mata voltar um pouco aos clássicos e, só para constatar, não estou dizendo apenas os jogos de Super Nintendo, mas também existem vários outros clássicos de outras plataformas:

 - Need for Speed: Underground 1 e 2 (PC, PS2 e Xbox)
 - Resident Evil 1, 2 e 3 (PS1 e N64 [apenas o 2])
 - Call of Duty 2: Big Red One (PS2 e Xbox)
 - Duke Nukem 3D (PC)
 - Doom (PC)
 - Actua Soccer (PC)
 - Silent Hill 2 (PS2)

 E vários outros. 

OBS: Prometo que vou fazer uma série aqui no blog mostrando os clássicos de cada gênero de jogo.

 Acredito que chegamos a um certo ponto no mundo dos jogos onde é preciso voltar no tempo, reaprender com os sucessos do passado e ouvir mais os fãs. Claro que eu realmente não tenho esperanças de que a geração atual de gamers irá mudar do dia para a noite, mas quem sabe se apenas for mostrado a eles que existe algo a mais que a matança. Que, como o menino disse na notícia, existe os carros, a musiquinha, as cores, A DIVERSÃO.

 Estamos passando nossas vidas tentando deixar jogos melhores para nossos filhos, mas não nos tocamos que não estamos deixando filhos melhores para os nossos jogos.

 E depois desse clichê imenso, me despeço de vocês. Se cuidem e bons jogos!

@Kirilko


Obrigado pelas palmas, The Rock. Eu sei que eu sou foda, mas não precisava.

 

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