segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Acalme-se.

 Se existe uma coisa que eu amo na internet é que a cada dia que eu entro nela eu "descubro" algo novo, algo interessante ou até mesmo dou atenção a alguma coisa que eu já tinha visto, mas não havia prestado atenção. É o caso da música "Pumped up Kicks" da banda Foster the People. Pessoalmente eu gostei bastante da música, mas tive de ouvir um pouco para entender sobre o que ela se trata. Por que você também não ouve?


 Na primeira vez que eu vi, normalmente, não entendi nada. Porém logo após ir acompanhando as letras ao pouco eu fui entendendo sobre o que ela se trata. Muita gente acha que ela está "apoiando" aqueles psicopatas que matam pessoas em salas de cinema, escolas ou outros lugares públicos (coisa que, infelizmente, é "comum" nos EUA), porém se você interpretar a música da maneira "correta", verá que ela, na verdade, entra na mente de um desses meninos adolescentes que não tem uma família bem estruturada, poucos amigos, depressão, não se dá bem na escola e, ás vezes, é vítima de bullying e que por causa de muitas dessas coisas, ao invés de cometer suicídio, essas pessoas desenvolvem pensamentos homicidas e resolvem atacar aqueles que os incomodaram a vida inteira.

 A verdade é que o número de jovens que se encaixam nesse perfil vem aumentando cada vez mais. Jovens que não se encaixam na maioria dos outros, que são diferentes, que não tem uma família muito boa e nem muitos amigos. Para falar bem a verdade não só os jovens estão assim. TODOS estão assim. Desde as crianças até os idosos. Hoje todos vivem na correria para ganhar dinheiro que não tem mais tempo para viver, para ser feliz com as pessoas que ama e isso acaba, automaticamente, isolando as pessoas.

 O estresse, que antes era a doença do futuro, hoje é a doença da atualidade. Pessoas que não tem mais paciência para nada e que acabam prejudicando sua saúde física e mental por causa disso. O que acontece com muitos é que eles não tem onde "descontar" esse estresse. Muitas pessoas gastam milhares em psicólogos, terapeutas e calmantes. Porém será que só isso funciona?

 Por que será que o estresse de muitas pessoas tem como resultado final alguma espécie de agressão física? As pessoas não tem mais paciência de parar e conversar para resolver as coisas. Não. Tem que ser tudo rápido hoje em dia. E qual a maneira mais rápida que muitas pessoas conhecem para resolver problemas? Brigando.

 Abra o jornal e veja quantas agressões e até mortes "inúteis" aconteceram. Briga no trânsito, desentendimento, preconceito, ignorância. Lembro-me uma vez que eu li que o dono de uma padaria assassinou um lixeiro por achar que ele havia tocado em um doce da padaria. Não bastou muito para esse homem matar uma pessoa por simplesmente achar algo.

 Acalme-se. Respire. Conte até dez. Não tome decisões de cabeça quente. Eu sei que ás vezes é difícil. Acredite: EU SEI.

 Uma pequena história que eu posso contar é que há um bom tempo atrás eu estava em uma festa. Era a formatura de um grande amigo meu e eu fui sem conhecer praticamente ninguém. Porém, lá no meio da multidão, eu acabo encontrando uma grande amiga minha que, na época, eu acreditara que estava me apaixonando por ela. Dancei com ela quase a noite inteira. Dançamos colados, dançamos juntos, música animada e música lenta. Eu achava que eu ia conseguir me dar bem, que eu não ia sair sozinho daquela festa. Porém um amigo meu exagerou na dose da bebida e acabou passando mal. Levei ele para fora da festa e tomei as providências necessárias para enviá-lo para a casa dele. Ao voltar para a festa eu sentei em uma cadeira e vi as pessoas dançando. Eu já estava cansado de dançar. Quando essa minha amiga me viu, me chamou para dançar e eu, educadamente, recusei explicando para ela, de maneira bem humorada, que eu já não tinha idade para acompanhar "os jovens" nas festas da atualidade. Sentado na cadeira eu fiquei observando-a dançar. Graciosa, leve, linda. Até que apareceu um rapaz. Não o conheço e pessoalmente nem quero conhecê-lo. Começou a conversar com ela até que, conversa vai, conversa vem, ele consegue roubar um beijo dela. E nesse exato momento esse que vos escreve arregala os olhos de surpresa. A menina recua um pouco e eu fico apenas na torcida para que ela diga que não quer nada com ele. Porém isso me abalou mais do que abalou a seleção no gol do México aos trinta segundos do primeiro tempo na final das Olimpíadas. Ele deu outro beijo e daí abriu a porteira. Os dois começaram a ficar. Ali. Há uns três ou quatro metros de distância de onde eu estava sentado.

 Eu pagaria para ter visto a minha cara. O sentimento do momento era uma espécie de repúdio com raiva, misturado no ódio e com uma gotinha de tristeza. No momento, com a cabeça quente, a vontade era de levantar e ter uma "conversa" com o cara. Porém não seria o certo a fazer. Meus punhos doíam. Queria, ao menos, dar um soco naquele cara. Só unzinho. Não ia fazer mal a ninguém. Eu daria o soco e iria embora. Mas não. Resolvi ficar ali sentado com a minha cara de descontentamento enquanto os dois se amavam na minha frente. Quando acabou, a minha amiga olhou para mim e eu, na mesma hora, virei o rosto. E todas as vezes que ela olhava para mim eu virava o rosto. Até que uma hora os nossos olhos se encontraram e, em uma leitura labial, eu li ela perguntando para mim: "O que foi? Tá tudo bem?".

 Com o sorriso mais falso e amarelo do mundo respondi: "Tudo ótimo!"

 Ela fez uma cara de quem não acreditou no que eu dizia, afinal, ela era uma amiga de longa data. Me conhecia melhor do que 98% daquela festa. No momento pediu licença para o cara e sentou ao meu lado: "Não vou sair daqui até você me contar o que há de errado.".

 Ordinária.

 Resisti o máximo que eu pude até que eu não suportei, levei ela para um lugar menos barulhento e contei tudo. Ela se desculpou. Dá para acreditar nisso? Ela se desculpou. Por que ela faria isso? Fui eu quem ficou olhando ela com uma cara de babaca estragando o romance dela e é ela quem se desculpa. No mesmo momento ela conta que somos apenas amigos (friendzoned) e que aquela era a primeira vez que ela ficava com alguém na vida dela.

 Aí eu tive raiva de mim mesmo. Estraguei a primeira faísca de romance de uma grande amiga minha por puro egoísmo. Naquele momento o que eu queria era sair do meu corpo e me dar um soco.

 A conversa continuo por mais um tempo até que ela precisava ir embora por causa da carona dela. O rapaz deu o seu casaco para ela não passar frio lá fora. Talvez ele não seja tão má pessoa assim. Ao menos ela saiu feliz. Isso já me satisfaz, mas ainda não tirava o ódio que eu sentia naquela noite.

 Não durou mais um tempo e eu fui embora para casa com a mesma cara. Cabisbaixo e com respostas curtas para as perguntas que as pessoas me faziam. Quando cheguei em casa, cheguei chegando. Batendo portas e acordando o prédio inteiro. Disse que foi um acidente. Entrei em meu quarto e comecei a escrever, sob lágrimas, todas as minhas desilusões amorosas. O ódio predominava naquele momento e escrever só piorava tudo. Andei para lá, andei para cá em meu quarto até que olho para meu videogame. Rapidamente pego meu porta CDs onde estão meus jogos e começo a vasculhar o que eu tenho disponível para a noite até que eu encontro um alívio para o ódio. UFC Undisputed 2010.



  O jogo tem um modo carreira em que você pode criar você mesmo dentro do jogo e lutar para ser uma lenda do octógono. Depois de terminar o modo carreira o seu lutador fica disponível para usar nos outros modos de luta do jogo. Eu já havia terminado o modo carreira então selecionei o meu alter ego digital. E fui procurando na extensa lista de lutadores do jogo algum que era parecido com o rapaz. Ele era loiro, um pouco mais baixo que eu e magro. Achei. Não me lembro quem era o lutador, mas eu achei. Foram exatas vinte e cinco lutas de três rounds cada e em todas as lutas eu venci por nocaute. Apertava os botões do controle com raiva. Batia naquele lutador digital que parecia o rapaz que havia ficado com a minha amiga. Fiz ele sofrer igual um condenado. Eu olhava para aquele rosto do adversário cheio de cortes, com os olhos roxos, vermelho de tanto apanhar e aquilo me acalmou.

 Agredir aquele lutador do jogo que me lembrava o rapaz liberou o peso que estava dentro de mim. Eu cheguei a suar, mas estava satisfeito. Fui dormir com a mesma roupa que estava no corpo. No dia seguinte acordei de cabeça fria como se nada tivesse acontecido. Tomei banho e acabei conversando com essa minha amiga. Nesse exato momento eu pedi desculpas por tudo, que eu errei e que o que eu fiz não foi certo, foi egoísta. Porém, para tentar amenizar as coisas, disse que estava de cabeça quente naquela noite e aquilo não ajudou. Ela aceitou minhas desculpas e hoje ainda somos grandes amigos. Ela com o namorado dela (que não é aquele cara) e eu com a minha namorada.

 Por essas e outras que eu acho, até um certo ponto, ridículo as pessoas dizerem que o videogame incentiva a violência. Pelo contrário. Caso você consiga usá-lo de maneira apropriada, ele pode até mesmo inibir a violência.

 Quem sabe se todas as pessoas que cometeram esses massacres não tivessem um videogame ali e soubessem canalizar as energias negativas em jogos violentos eles não teriam feito o que fizeram? É apenas uma suposição, mas quem sabe?

 Aqui vai a minha dica para você, caro leitor. Compre um videogame e também compre algum jogo como UFC Undisputed, Mortal Kombat, God of War, Battlefield, Call of Duty, Gears of War, Grand Theft Auto, Saints Row, Medal of Honor e tantos outros jogos violentos que você possa descontar tudo de ruim que houve com você.

 Alguém te xingou no trânsito? Ligue o seu Grand Theft Auto e saia atirando em todos os motoristas que encontrar!

 Pessoas te irritaram o dia inteiro? Ligue o seu God of War e saia desmembrando todos que você ver a sua frente!

 Alguma pessoa na rua trombou em você e fez um barraco por causa disso? Ligue o seu Saints Row e saia chutando as genitálias de todos os pedestres que você encontrar!

 A energia, tanto positiva quanto a negativa, está presente em todos nós. Apenas precisamos apreender a canalizá-las para os lugares certos. Nós precisamos nos acalmar. Precisamos começar a fazer as coisas de cabeça fria e um simples videogame pode muito bem resolver o assunto. Apenas lembre-se de escolher um jogo em que você possa vencer com uma certa facilidade ou então você vai acabar perdendo e isso vai apenas te estressar cada vez mais e mais.

 Agora, se me derem licença, vou bater em pessoas no Final Fight pelo simples fato de que hoje é segunda feira.

 Se cuidem, relaxem e bons jogos!

@Kirilko




P.S.: Sexo também ajuda a tirar o estresse. Então caso não queira jogar videogame, vá fornicar, porém use camisinha, pois bebês são um pouco estressantes de cuidar.

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