terça-feira, 16 de junho de 2009

Poemaa \o

Musa de Olhos verdes
por Machado de Assis

Musa dos olhos verdes, musa alada,
Ó divina esperança,
Consolo do ancião no extremo alento,
E sonho da criança;
Tu que junto do berço o infante cinges
Cos fúlgidos cabelos
Tu que transformas em dourados sonhos
Sombrios pesadelos;
Tu que fazes pulsar o seio às virgens;
Tu que às mães carinhosas
Enches o brando, tépido regaço
Com delicadas rosas;
Casta filha do céu, virgem formosa
Do eterno devaneio
Sê minha amante, os beijos recebe,
Acolhe-me em teu seio!
Já cansada de encher lânguidas flores
Com as lágrimas frias,
A noite vê surgir do oriente a aurora
Dourando as serranias.
Asas batendo à luz que as trevas rompe,
Piam noturnas aves.
E a floresta interrompe alegremente
Os seus silêncios graves.
Dentro de mim, a noite escura e fria
Melancólica chora
Rompe estas sombras que o meu ser povoam
Musa, sê tua a aurora!

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